Testemunho.

Rita Alves

Candidata a Vogal do Conselho Directivo Regional do Sul

Novos membros na OA: acolher ou restringir o acesso?

A ordem é para todos e de todos os arquitectos. É uma mais valia para a instituição acolher os novos membros fazendo-lhes valer as atribuições para as quais existe. A meu ver, assim será maior a probabilidade de ter uma associação profissional exigente, com força e que melhor nos represente.

Como é que a OA diz bem-vindo a um arquitecto recém-formado? (Ou não diz?)

Para a ordem, um arquitecto quando termina o curso, é um licenciado em arquitectura. Assim que se inscreve no processo de admissão, é um membro estagiário. Quando termina este processo é um membro efectivo: um arquitecto.
Actualmente existe apenas uma cerimónia formal de recepção a estes novos membros efectivos, promovida pelo órgão nacional.
O estudante de arquitetura termina o curso e para ser considerado arquitecto deve iniciar um processo de admissão numa instituição sobre a qual normalmente não tem qualquer noção precisa.
Penso que o processo de boas vindas poderia iniciar-se logo com uma relação activa, entre a OA e as universidades, durante o período de formação dos futuros arquitectos.
Promovidos pelo actual órgão regional sul, existiram o “Prémio Arquitectos Agora” ou a “Viagem Pop up”, eventos que pretendiam incentivar uma relação com os futuros arquitetos e com as universidades. Seria vantajoso dar continuidade a estas iniciativas que para além de darem voz aos novos membros podem vir a ser muito mais.

De um lado temos a universidade que forma arquitectos. Do outro temos uma ordem profissional que lhes dá e retira o direito de usarem esse título. E no meio? O que deve haver entre as duas?

Como afirmei antes, penso que cultivar uma convivência com a ordem durante o período académico fortalece a ligação com os potenciais novos membros e incentiva a uma cultura associativa.
Agora existe um momento de mediação entre a formação académica e o acesso à profissão, um período de experiência profissional acompanhado pela OA: o estágio.
Há quem afirme que o estágio não serve para nada e que se trate de uma imposição injusta e controladora. E se ainda por cima, já foi uma experiência concretizada durante a faculdade, é compreensível a apreensão da parte dos novos membros.
Suponho que estes mecanismos de acesso à ordem surjam também com vista a um controlo de qualidade porque é escasso o contacto com as instituições de ensino superior.
Mas na prática, o primeiro período de experiência profissional existe na vida de todos e a ordem propõe-se a fazer este acompanhamento, nem que seja através de eventos formativos.
Acredito que a ordem deve sobretudo concentrar este apoio inicial, aos jovens arquitectos e membros estagiários, na formação e apoio dentro do tema Estatuto e Deontologia, o conhecimento destes critérios é extremamente útil para um desempenho profissional consciente.

Estágios, exames, acções de formação, avaliações… o que é que se pode inventar mais para integrar novos membros? Conseguem as SR assegurar o rigor e o correcto desenrolar destes procedimentos?

Pelo que tenho observado, estes diversos métodos de controlo de acesso à OA têm vindo a adaptar-se também porque alguns processos requeriam recursos que dificultavam uma gestão sustentável da parte das secções regionais.
Volto à mesma ideia de que estas lacunas podem ser preenchidas com uma articulação com as faculdades. Mas para tal seria preciso assegurar que existe uma intervenção activa da parte da ordem na estrutura dos cursos universitários. Daí a nossa intenção de trabalhar para uma integração mais activa junto da agência para a acreditação do ensino superior.

Os estágios devem mesmo ser remunerados? Porquê?

A remuneração dos estágios profissionais deve existir por força do Decreto-Lei nº 66/2011, de 1 de Junho. É preciso informar os arquitectos que ainda não tenham conhecimento desta lei. A anterior comissão de admissão sul fez sempre um esforço neste aspecto, com alguma dificuldade de coordenação com o anterior órgão nacional, mas nesta candidatura contamos com um trabalho conjunto sul-nacional, que venha a ser eficaz.
Qualquer funcionário de um escritório é um investimento para a entidade empregadora, pois o que contrata são as mais valias de quem presta um serviço. A remuneração de um arquitecto estagiário reforça a exigência quanto ao seu trabalho e torna esta experiência mais compensadora a nível de aprendizagem.
Relativamente às primeiras experiências profissionais: se não existissem estagiários, existiriam igualmente arquitectos sem experiência a trabalhar, a troco de uma remuneração.

Que medidas concretas, quanto ao tema da admissão, são propostas para este mandato?

Para além de dar o melhor seguimento às primordiais atribuições da secção regional, pretendemos aprimorar o legado positivo com o qual a nossa lista está a trabalhar. Um exemplo é o projecto Arquitectos Agora, através do qual é possível envolver e dar voz activa aos jovens arquitectos, logo uma boa ferramenta para a qualificação do processo de admissão.
Queremos retomar a pesquisa e monitorização relativamente à admissão, disponibilizando de modo simples e claro esta informação aos membros.
O facto de esta ser uma candidatura conjunta nacional/regional permite-nos ter melhor entendimento para uma melhor capacidade de execução. Assim:
Pretendemos ser uma voz activa, junto do órgão nacional, para o aperfeiçoamento e aplicação do novo regulamento de admissão e na defesa dos interesses dos arquitetos estagiários.
Propomos também:
Diligenciar para o incentivo e promoção da comunicação entre a OA e as universidades, encaminhando o acesso à ordem de um modo positivo.
Colaborar no reforço do posicionamento da OA junto da agência para a acreditação do ensino superior.