Testemunho.

Rita Dourado

Candidata a Vogal do Conselho Diretivo Regional do Sul da Ordem dos Arquitectos

Deve a ordem dos arquitectos enquadrar, regular, e zelar pela actividade de todos os arquitectos, ou deve concentrar-se na actividade daqueles que exercem os actos próprios que actualmente estão descritos no estatuto: elaboração ou apreciação dos estudos, projetos e planos de arquitectura?

A OA é para todos os arquitectos. Temos vindo a assistir, por variadíssimas razões, que a prática da arquitectura se tem desmultiplicado em diversas frentes de acção. Hoje os arquitectos baseiam a sua actividade em muito mais que exclusivamente o exercício de projecto. Existem os que se dedicam à docência, à investigação, à edição, a práticas de curadoria, etc. Neste momento eu, e todos nós que estamos a candidatar-nos a SUL, achamos que a Ordem deve valorizar e integrar todos os arquitectos nas múltiplas formas de exercício da profissão.

Faz sentido dar uma atenção especial aos arquitectos que trabalham na apreciação de projectos nas Câmaras Municipais e noutros organismos públicos?

Consideramos que a OA deve encontrar mecanismos para acolher como membros todos os que obtiveram formação em arquitectura mesmo que exerçam actividades noutras áreas. Todos devem sentir-se representados pela OA, que procurará adequar os serviços prestados às especificidades das diferentes actividades que hoje a profissão de arquitecto envolve.

Que medidas se propõem realizar para apoio técnico aos arquitectos que exercem outras actividades diferentes da elaboração e apreciação de projectos? Como irá a SRS conseguir responder mais e melhor aos membros?

Queremos alargar os serviços e adequar os protocolos da OASRS, tornando-os mais ajustados à actual configuração da classe dos arquitectos, nomeadamente ao nível dos apoios técnicos e sociais.

Pretendemos disponibilizar serviços jurídicos e a informação referente à OASRS a todos os arquitectos sempre que necessitem, mesmo quando estes tenham actividade suspensa ou se encontrem desempregados.

Queremos também alargar a implementação do ‘Portal dos Arquitectos’ a todos os órgãos da OA, promovendo a eficiência na prestação de serviços e de informação.

Como pode a OASRS envolver mais os seus membros no debate e na procura de soluções para os problemas que afectam a profissão?

Para envolver os membros no debate e na procura de soluções é necessário primeiro que as pessoas queiram fazer parte da OA e se sintam representadas e é nisso que estamos muito empenhados.

Acho que se perdeu, ao longo dos últimos anos, a vontade de pertencer à OA. Lembro-me que se terminava o curso e era um orgulho pertencer à antiga Associação. Hoje somos muitos mais arquitectos, teríamos maior força corporativa e, no entanto, a participação é cada vez menor. Nós queremos inverter isso, para sermos mais representativos, para termos mais voz.

A ordem tem actualmente duas SR. Os estatutos da ordem preveem, desde o ano passado, a possível criação de novas secções regionais, correspondentes a sete Unidades Territoriais (NUTS II). Faz sentido criar mais SR?

Não nos parece muito viável fazer isso imediatamente porque é muito difícil o financiamento de novas Secções, bem como a sua sustentabilidade, indispensável à sua autonomia. 

Há que organizar melhor o modo como as Secções actuais funcionam. Por exemplo, existe a SUL o Portal dos Arquitectos que congrega uma série de serviços, mas que ainda está em parte limitado a Norte. Tem havido todo um esforço de facilitar o acesso aos serviços prestados e existe por isso também uma necessidade de articulação maior com o Nacional. É por isso que também temos uma candidatura conjunta.

Serviços, como os de concursos, promoção da arquitectura, comunicação e interacção com os membros, ou protocolos têm actualmente na OA inúmeros canais, divididos pelas diferentes estruturas regionais e nacional. Não fará sentido acabar com isto?

Há informação que tem interesse e âmbito regional e por isso importa ter canais de informação mais próximos, mais dirigidos. Contudo, nos temas que interessam a todos há sim que repensar a forma como se comunica, como se prestam serviços, como se difunde a informação eficazmente sem multiplicação de meios e sem redundâncias.

Como pode a Ordem estar mais perto daqueles que estão longe de Lisboa e dos centros decisivos, nomeadamente Algarve, Alentejo?

A SUL queremos descentralizar serviços de modo a representar todos os arquitectos. A actual área de abrangência da OASRS é muito vasta e, naturalmente, muito heterogénea também.

É imprescindível procurar conhecer melhor, estar próximo e actuar em todo o território da Secção. Há que comunicar melhor e há que continuar a dar o apoio às Delegações e Núcleos que já existem, reforçando estas estruturas de apoio local aos arquitectos.

É ainda fundamental que a OASRS possa estar presente na construção de uma opinião pública informada, de forma sistemática.